A Estética da Inépcia: Como o Poder Transfigura o Fracasso em Propaganda Pública - Rio Grande do Sul & Porto Alegre Habitamos uma era de vigarice semiótica institucionalizada. Na sarjeta política da pós-verdade e do marketing governamental, as palavras e os fatos sofreram um divórcio litigioso e definitivo. Friedrich Nietzsche já havia diagnosticado que não existem fatos, apenas interpretações; hoje, as secretarias de comunicação e os prefeitos de plantão elevaram esse cinismo ao status de política de Estado. Para a máquina pública contemporânea, a realidade material não importa. Uma promessa vazia não precisa de lastro, de tijolo ou de asfalto; ela só precisa ser chancelada pelo topo da cadeia alimentar do poder para ser vendida como verdade absoluta a uma população dopada por telas. O reflexo mais violento e covarde dessa dinâmica não está nas teses acadêmicas, mas no lombo do cidadão que amarga horas na parada de ônibus, sob o sol ou a chuva, esperando por fantasmas. Porto Alegr...
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