LAVO ROSA NO LAVABO Lavo a rosa no lavabo da poesia e da prosa; suas pétalas desmaiam em metáforas adstringentes de tristezas. Os espinhos rememoram a dor carnal, aliviada pelo vinho tinto na taça de cristal. A noite chega suave como um ácido cáustico, mas a alcalinidade do prazer secreto quase equilibra as sensações do cotidiano. Um mar com excesso de ondas afasta a calmaria; procuramos uma baía, um porto seguro, porém uma voz soturna e invisível nos diz: 'Vocês estão procurando uma lápide?' Continuamos a navegar pelo mar revolto. O vento nos açoita, revoluções circulares nos afastam da bonança; à deriva seguiremos. Uma ânsia silenciosa invade nossos corpos almáticos, e o farol nos leva a abismos infernais. Parece que o sol nunca mais vai nascer na equação existencial; as incógnitas estão disfarçadas por roupagens não humanas. Avançamos em meio à escuridão, não temos como voltar ou sair da influência do ciclone vivencial. Já tiramos água com canecas; o barco balança de um la...